quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Real Madrid e Barcelona

É dia de Clássico

Se em termos de patriotismo é pena que este ano não tenhamos a nossa liga nacional em televisão aberta, esteticamente muito mais pena é não termos acesso ao futebol do país vizinho, como tínhamos há década e meia, quando a TVI nos proporcionava o jogo como ele deve ser jogado, no reinado de Ronaldo I, o fenómeno.

Porque ver as duas melhores equipas do mundo - que pouco se gostam -, lideradas pelos dois melhores jogadores do mundo - que pouco se gostam -, não é desporto, é cultura.

É às 20h. E vai ser bom.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

QatarGate

Quando há cerca de dois anos a FIFA atribuiu os mundiais de 2018, à Rússia, e de 2022, ao Catar, muitos se interrogaram sobre o sentido que fazia esta mais distante escolha. Um país sem tradição no futebol - aceitável, já que Suiça (1954), Chile (1962), EUA (1994), Coreia do Sul (2002) e África do Sul (2010) não são exactamente potências do jogo, embora o Catar - 106º classificado no ranking da FIFA, atrás do Burundi e um lugar acima da Nova Caledónia seja de longe a nação com menos argumentos dentro de campo; sem grande histórico de organização de grandes eventos desportivos - há uma primeira vez para tudo, e com condições climatéricas absurdas à prática do jogo - as temperaturas no Verão ultrapassam facilmente os 43 graus, o que obrigaria a que das duas, uma: ou a alteração revolução dos calendários dos clubes de modo a acomodar um Mundial disputado excepcionalmente no Inverno ou, como os próprios organizadores sugeriram com os seus bolsos cheios, climatizar os estádios de modo a amenizar o dantesco - e perigoso - calor. Duas hipóteses que, ainda que possíveis, são pouco práticas e no geral impráticas.

Pois eis que a edição desta semana da respeitada revista France Football, aquela que elege o melhor jogador do Mundo, apresenta uma bombástica investigação que parece confirmar o que muitos já desconfiavam: que os referidos bolsos cheios do Catar, além de arrefecerem o ar dos seus estádios, também serviram para comprar os votos necessários para garantir que a sua candidatura chegasse a bom porto. O artigo refere uma série quase infindável de encontros misteriosos entre Sarkozy, Platini e emissários Cataris bem como o envolvimento de ilustres personagens como Mohammed Bin Hammam, ex-presidente da Federação Asiática de Futebol, entretanto expulso da FIFA por comportamentos suspeitos e ainda Ricardo Teixeira, outrora presidente da CBF, Confederação Brasileira de Futebol e também ele um bandido de carreira, recentemente exposto por diversos crimes de corrupção.

Nada que surpreenda por aí além, dado o nubloso histórico da FIFA, que raramente põe o jogo que defende acima dos seus interesses.

Resta saber se com isto e com outras investigações que por certo se devem realizar, o Campeonato do Mundo, com certeza a segunda prova desportiva mais importante do planeta, depois dos Jogos Olímpicos, se mantém no Médio Oriente ou se transita para outras paragens, provavelmente para os Estados Unidos, que perderam a corrida na votação anterior. Com quase uma década ainda por percorrer, há tempo para resolver a borrada, mas pouco...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sporting e as ex-

É complicado explicar a quem não sofre desta maleita de se gostar demasiado de um clube de futebol (aquelas pessoas que dizem que "o que importa é participar") o que custa ver um dos outrora ídolos do nosso clã, que tantas alegrias nos brindou no passado, fazer agora vibrar os tontos que têm o mau gosto e o pouco senso de festejar os golos de rival clube. Diria que o momento da notícia, quando se torna público e inequívoco que Fulano Craque vai agora jogar no Rival, é um pouco como quando descobrimos, por amigos ou conhecidos, que uma nossa ex-namorada está agora de caso com outro, sempre irritante de pensar, por melhor ou pior que as coisas tenham acabado. No entanto, o choque só bate realmente forte quando o vemos com a camisola do novo clube ao peito, quando encontramos a moça, por acaso, numa discoteca, com os lábios colados a um qualquer cretino.

Com a possível estreia de Liedson pelo FC Porto hoje, frente ao Gil Vicente, o tuga-brasuca torna-se o terceiro ex-ídolo do Sporting a despedaçar os corações leoninos, juntando-se a João Moutinho e Izmailov, todos com circunstâncias diferentes.

Primeiro foi Moutinho, formado desde formiga no clube e capitão de equipa, aquele primeiro amor, ingénuo e avassalador, a mulher com quem achávamos que iríamos casar, porque fazia tanto sentido e tudo seria maravilhoso. Um dia chegamos a casa e a vaca está de quatro, com outro. Pode ser atropelado por uma betoneira , que pouco nos importa. Cada vez que sofre uma entrada a pés juntos de um jogador do Moreirense gera um sorriso de vingança na nossa cara. E depois pensamos que podia ter sido tão bom... Merda para ele. E para ela.

Mais recentemente foi Izmailov (sou contra o acordo ortográfico), um russo genial, uma mulher estupenda, mas de quem sempre desconfiámos um pouco. Era extraordinária demais para nós, talvez. Com tantos argumentos, porque estava aqui, se tinha o mundo a seus pés? As suas constantes lesões acordavam-nos para a realidade de que não era perfeito, e a sua aparentemente falta de empenho em regressar com brevidade à equipa faziam pensar que se calhar não gostava tanto de nós como nós dele. Não foi um choque, como no caso anterior, quando o vimos nos braços de outro. Triste, mas não chocante. Pelo menos recebemos o Miguel Lopes. Ah espera, é muito fraco ele.

Agora é Liedson. Liedson foi uma relação bonita, um affair ainda longo e quase sempre com alegria e sorrisos - salvo um caso ou outro de violação doméstica - e que terminou bem: Não é que não gostássemos muito um do outro, simplesmente não queríamos o mesmo nesta fase da vida. Não era um fim, era um até breve, enquanto resolvíamos o que tínhamos a resolver, e voltaríamos a ser felizes juntos. Teve os seus flirts, no Brasil, onde a distância encurta o incómodo, da mesma forma que o Sporting começou uma relação com Wolfswinkel, com quem é mais ou menos feliz dependendo do dia. Não dói tanto como Moutinho, mas não gostamos de ver. Aquela camisola de riscas verticais azuis não lhe fica bem, como não fica aos outros dois, mas pouco podemos agora fazer em relação a isso, excepto evitar ver os jogos do Outro. Até ao dia, que chegará em breve, em que teremos os três a jogar em Alvalade. Com a camisola e os lábios colados no Rival. E mete nojo.