terça-feira, 29 de janeiro de 2013

QatarGate

Quando há cerca de dois anos a FIFA atribuiu os mundiais de 2018, à Rússia, e de 2022, ao Catar, muitos se interrogaram sobre o sentido que fazia esta mais distante escolha. Um país sem tradição no futebol - aceitável, já que Suiça (1954), Chile (1962), EUA (1994), Coreia do Sul (2002) e África do Sul (2010) não são exactamente potências do jogo, embora o Catar - 106º classificado no ranking da FIFA, atrás do Burundi e um lugar acima da Nova Caledónia seja de longe a nação com menos argumentos dentro de campo; sem grande histórico de organização de grandes eventos desportivos - há uma primeira vez para tudo, e com condições climatéricas absurdas à prática do jogo - as temperaturas no Verão ultrapassam facilmente os 43 graus, o que obrigaria a que das duas, uma: ou a alteração revolução dos calendários dos clubes de modo a acomodar um Mundial disputado excepcionalmente no Inverno ou, como os próprios organizadores sugeriram com os seus bolsos cheios, climatizar os estádios de modo a amenizar o dantesco - e perigoso - calor. Duas hipóteses que, ainda que possíveis, são pouco práticas e no geral impráticas.

Pois eis que a edição desta semana da respeitada revista France Football, aquela que elege o melhor jogador do Mundo, apresenta uma bombástica investigação que parece confirmar o que muitos já desconfiavam: que os referidos bolsos cheios do Catar, além de arrefecerem o ar dos seus estádios, também serviram para comprar os votos necessários para garantir que a sua candidatura chegasse a bom porto. O artigo refere uma série quase infindável de encontros misteriosos entre Sarkozy, Platini e emissários Cataris bem como o envolvimento de ilustres personagens como Mohammed Bin Hammam, ex-presidente da Federação Asiática de Futebol, entretanto expulso da FIFA por comportamentos suspeitos e ainda Ricardo Teixeira, outrora presidente da CBF, Confederação Brasileira de Futebol e também ele um bandido de carreira, recentemente exposto por diversos crimes de corrupção.

Nada que surpreenda por aí além, dado o nubloso histórico da FIFA, que raramente põe o jogo que defende acima dos seus interesses.

Resta saber se com isto e com outras investigações que por certo se devem realizar, o Campeonato do Mundo, com certeza a segunda prova desportiva mais importante do planeta, depois dos Jogos Olímpicos, se mantém no Médio Oriente ou se transita para outras paragens, provavelmente para os Estados Unidos, que perderam a corrida na votação anterior. Com quase uma década ainda por percorrer, há tempo para resolver a borrada, mas pouco...

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