É complicado explicar a quem não sofre desta maleita de se gostar demasiado de um clube de futebol (aquelas pessoas que dizem que "o que importa é participar") o que custa ver um dos outrora ídolos do nosso clã, que tantas alegrias nos brindou no passado, fazer agora vibrar os tontos que têm o mau gosto e o pouco senso de festejar os golos de rival clube. Diria que o momento da notícia, quando se torna público e inequívoco que Fulano Craque vai agora jogar no Rival, é um pouco como quando descobrimos, por amigos ou conhecidos, que uma nossa ex-namorada está agora de caso com outro, sempre irritante de pensar, por melhor ou pior que as coisas tenham acabado. No entanto, o choque só bate realmente forte quando o vemos com a camisola do novo clube ao peito, quando encontramos a moça, por acaso, numa discoteca, com os lábios colados a um qualquer cretino.
Com a possível estreia de Liedson pelo FC Porto hoje, frente ao Gil Vicente, o tuga-brasuca torna-se o terceiro ex-ídolo do Sporting a despedaçar os corações leoninos, juntando-se a João Moutinho e Izmailov, todos com circunstâncias diferentes.
Primeiro foi Moutinho, formado desde formiga no clube e capitão de equipa, aquele primeiro amor, ingénuo e avassalador, a mulher com quem achávamos que iríamos casar, porque fazia tanto sentido e tudo seria maravilhoso. Um dia chegamos a casa e a vaca está de quatro, com outro. Pode ser atropelado por uma betoneira , que pouco nos importa. Cada vez que sofre uma entrada a pés juntos de um jogador do Moreirense gera um sorriso de vingança na nossa cara. E depois pensamos que podia ter sido tão bom... Merda para ele. E para ela.
Mais recentemente foi Izmailov (sou contra o acordo ortográfico), um russo genial, uma mulher estupenda, mas de quem sempre desconfiámos um pouco. Era extraordinária demais para nós, talvez. Com tantos argumentos, porque estava aqui, se tinha o mundo a seus pés? As suas constantes lesões acordavam-nos para a realidade de que não era perfeito, e a sua aparentemente falta de empenho em regressar com brevidade à equipa faziam pensar que se calhar não gostava tanto de nós como nós dele. Não foi um choque, como no caso anterior, quando o vimos nos braços de outro. Triste, mas não chocante. Pelo menos recebemos o Miguel Lopes. Ah espera, é muito fraco ele.
Agora é Liedson. Liedson foi uma relação bonita, um affair ainda longo e quase sempre com alegria e sorrisos - salvo um caso ou outro de violação doméstica - e que terminou bem: Não é que não gostássemos muito um do outro, simplesmente não queríamos o mesmo nesta fase da vida. Não era um fim, era um até breve, enquanto resolvíamos o que tínhamos a resolver, e voltaríamos a ser felizes juntos. Teve os seus flirts, no Brasil, onde a distância encurta o incómodo, da mesma forma que o Sporting começou uma relação com Wolfswinkel, com quem é mais ou menos feliz dependendo do dia. Não dói tanto como Moutinho, mas não gostamos de ver. Aquela camisola de riscas verticais azuis não lhe fica bem, como não fica aos outros dois, mas pouco podemos agora fazer em relação a isso, excepto evitar ver os jogos do Outro. Até ao dia, que chegará em breve, em que teremos os três a jogar em Alvalade. Com a camisola e os lábios colados no Rival. E mete nojo.
muito bom. só a paisagem bucólica ao fundo não me convence inteiramente.
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