segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

É cedo, mas o blog já se mudou:

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Sporting



 Iraque, 2003 / Alvalade, hoje.

Baltimore Ravens, Super Bowl Champions

Um jogão que deixou um gostinho amargo na boca.

No primeiro lance do jogo, os San Francisco 49ers acertaram um bom passe para avançar no terreno. No entanto, a jogada é anulada por offside e a partir daí a primeira metade do jogo tornou-se um pesadelo para a equipa da California, que não conseguia encaixar um ataque continuado enquanto via Joe Flacco, quarterback dos Baltimore Ravens encontrar sistematicamente os seus companheiros e somar jardas, touchdowns e pontos.

Com 21-6 ao intervalo, a vida dos 49ers parecia complicada. Com 11 segundos do segundo tempo, uma corrida de 108 jardas de Jacoby Jones e o record do superbowl para touchdown mais longo de sempre e mais 7 pontos para os Ravens, o troféu parecia decidido. Logo depois, o que ninguém esperava: falha de energia no maior evento desportivo dos Estados Unidos. Mais de meia hora sem jogo e fans aborrecidos. Mas os intervenientes compensaram os espectadores - no recomeço da partida, um gráfico anunciava que nenhuma equipa tinha recuperado de uma desvantagem maior que dez míseros pontos para vencer o Super Bowl. San Francisco perdia por mais de o dobro, 22 pontos na altura. Razão mais que suficiente para qualquer pessoa que não tivesse nascido em Baltimore torcer pelos pobres coitados. Aí acordou Kaepernick, o jovem QB dos 49ers, que tinha tido começo pouco firme. Aos poucos, os 49ers foram crescendo, na vontade, na energia e no placar. Dois touchdowns num espaço de três minutos foram dando esperança. No primeiro momento "de cinema", os 49ers dispõe de um "field goal", um pontapé de alguma distância - no caso 34 jardas ou 31 metros - que vale três pontos, a fechar o terceiro período, eram cruciais para manter as aspirações de San Francisco. David Ackers falha, por milímetros. Mas espera! A bandeira amarela que os árbitros lançam para o campo quando algo corre mal voa para o relvado - falta no kicker e o lance é repetido, desta vez com final feliz!

28-23 e apenas uma posse de bola de distância na entrada para o período decisivo. Wow. Wow. E o período foi avançando, com um field goal de Baltimore e um touchdown dos 49ers, que podia ter empatado a partida se conseguisse converter a jogada de dois pontos, coisa que não fez, deixando a partida separada por dois pontos apenas, que se tornaram cinco com novo field goal dos Ravens. E aí o final de cinema voltou a entrar em cena, com San Francisco a avançar no terreno e a colocar-se a menos de uma dezena de jardas da meta, com quatro jogadas para transformar o ataque em touchdown, o touchdown em vitória e a vitória em história, magia e tudo o mais.

Nervos, de quem nem sequer tinha afiliação por qualquer daquelas equipas, imagine-se dos adeptos fervorosos dos participantes.

Kaepernick, o miúdo com cara e sorriso de estrela tinha "apenas" de colocar a bola num colega na "end zone", a zona marcada de pontuação, como havia fazendo desde que assumira a titularidade da posição do lesionado Alex Smith e que não mais cedeu ao veterano. Mas a defesa dos Baltimore Ravens é forte e forte se mostrou, não permitindo em qualquer das quatro ocasiões o final feliz que parecia destinado a acontecer, o da reviravolta mais espantosa da história do Super Bowl.

Ray Lewis, considerado um dos melhores line-backers da história do jogo, colocou ponto final na carreira, da melhor maneira possível, com o título de campeão. Joe Flacco foi, justamente, eleito o MVP da partida, num jogo irrepreensível do quarterback Ravens que incluiu um passe incrível de 56 jardas, mais de metade do campo, que resultou num touch-down de Jacoby Jones.

Quanto aos irmãos Harbaugh, treinadores dos finalistas de hoje, ganhou John, o mais velho, embora o encontro a meio campo no final da dramática partida não tenha proporcionado sequer um abraço, quanto mais uma lágrima de emoção, apenas um aperto de mão e uma palmada no peito.

E ano que vem há mais, no primeiro domingo do segundo mês, certamente com a mesma intensidade mas dificilmente com o mesmo dramatismo. Os americanos - e cada vez mais o resto do mundo - já contam os dias - faltam 364.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Super Bowl

A expressão "pára tudo!" raramente é levada à letra, mas nos EUA, hoje, é. Porque hoje é Super Bowl Sunday, o dia em que até os americanos que não vão muito à bola com desporto se sentam com os seus próximos para ver a decisão do campeonato de futebol, o deles, da bola oval. Independente das equipas que chegam ao jogo do título, é um dia de festa, com a nação em frente da televisão e onde os anunciantes pagam cerca de 3 milhões de euros por cada meio minuto de publicidade.

O jogo de hoje, com início marcado para as 23.30h, hora de Lisboa e não de New Orleans, onde logo se joga, coloca frente a frente os Baltimore Ravens e os San Francisco 49ers. Não são as equipas mais mediáticas, como os New York Giants, os Dallas Cowboys ou os New England Patriots mas nem por isso deixam de ser e ter histórias interessantíssimas como pano de fundo:

Começando pela curiosidade que mais chama a atenção: Os treinadores principais são irmãos. Separados por menos de ano e meio, Jim e John Harbaugh são os timoneiros responsáveis por levar os 49ers e os Ravens, respectivamente ao jogo do título. O que quer dizer que o senhor e a senhora Harbaugh, por sinal também ele treinador de futebol americano, serão mais logo progenitores de um campeão e um perdedor do Super Bowl, der por onde der.

Mas nem só de treinadores vive o jogo, com um jogador em cada equipa a receber destaque:

Do lado dos 49ers, a situação do quarterback - talvez a posição mais importante mas certamente a mais glamourosa - gerou controvérsia durante a época, quando Alex Smith, o "QB" titular se lesionou numa altura que estava a fazer a melhor época da sua carreira, estando inclusivamente no top 5 da liga em termos estatísticos. Na altura Smith foi substituído por Colin Kaepernick, o inexperiente quarterback de reserva, na sua segunda época na liga. Acontece que o que deveria ser uma situação passageira tornou-se a norma, com Kaepernick a manter a titularidade mesmo após a recuperação de Smith. Conhecido por correr tanto quanto passa a bola, bateu o record de "rushing yards" (distância percorrida com a bola, ao contrário de "passing yards") para um quarterback no seu primeiro jogo de playoffs, além de ter liderado a sua equipa a uma impressionante vitória contra os Atlanta Falcons - equipa com melhor registo na época regular - por 28-24 após ter estado a perder por 0-17!

Pelos Ravens, o jogo marca a despedida de Ray Lewis, considerado um dos melhores line-backers da história do jogo, que havia anunciado antes dos play-offs que esta seria a sua última temporada, pelo que cada jogo desde aí tem tido o potencial de aparição final, sendo que hoje, ganhando ou perdendo, a NFL perderá uma das suas figuras.

Resta saber que San Francisco 49ers e Baltimore Ravens nunca perderam um Super Bowl, tendo vencido a final em todas as vezes que lá chegaram - cinco vezes para a equipa da California, a última vez em 1994 e os Ravens a triunfarem em 2000, a única vez que estiveram no dia de festa.

É não perder que vai valer a pena. No intervalo tocará Beyoncé (fará lip-sync outra vez?) e Alicia Keys cantará o hino americano, antes do pontapé inicial.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mercado Fechado

Trespassado o limite para transferências no futebol nacional - e europeu, no geral - os clubes terão agora de enfrentar a segunda e decisiva metade da época com o que têm. Assim, analisamos o que mudou nos três quatro grandes:

FC Porto - Para variar, fez a sua gestão com irritante competência, razão pela qual, nos últimos largos anos, só não é campeão nos anos em que um dos rivais faz um ano especialmente brilhante. Contrataram Izmailov, um investimento de baixo custo (pouco mais perderam que um lateral e um guarda-redes que não jogavam) e potencial alta rentabilidade, já que se trata de um jogador talentoso que só precisa de se reabilitar física e mentalmente - o que, a julgar pelos primeiros jogos, está resolvido. O médio russo multi funcional permite ainda espetar uma pequena faca nos corações dos adeptos do Sporting, de quem foi resgatado. Chega também Liedson, um jogador de créditos firmados no futebol português, e que, pelas circunstâncias da idade e da vida, vem feliz em ser o reserva de Jackson Martinez e ajudar quando for preciso. Saem Iturbe e Rolando, ambos emprestados, resolvendo o Porto a situação de dois jogadores insatisfeitos com as suas conjunturas no clube e que permite, sobretudo no caso de Rolando, rentabilizar um activo sem margem de manobra.

Benfica - Também o clube da Luz foi mais ou menos fiel ao seu modus operandi usual - Contrataram jogadores com valor mas que dificilmente terão oportunidade de jogar, sobretudo Diogo Rosado e Rui Fonte, por acaso ambos até formados no rival da segunda circular, e que apesar das qualidades parecem tapados pelos titulares do clube nas posições. Assinou ainda o jovem lateral esquerdo brasileiro Bryan, numa posição que o Benfica até precisava de reforçar. Quanto a saídas, assinalam-se as saídas de Nolito e Bruno César, o primeiro emprestado ao Granada, o segundo a ir enterrar-se nas areias das Arábias, o que para um jovem de 24 parece muito má ideia, visto ser geralmente a morte futebolística de um jogador, este tipo de transferências - daqui a uns anos um amigo perguntará a outro - "Olha lá, lembras-te de um Bruno qualquer coisa, César, acho, que esteve aqui uma época? Nem era mau, que é feito dele?" "Hum, boa pergunta. Lembro-me vagamente, acho que foi para o Catar ou coisa que o valha... onde andará?" E quando forem investigar à net, descobrirão que esteve mais três anos por lá, aos 28 foi para o Japão duas épocas até regressar ao Brasil, onde teve um morno fim de carreira num dos muitos clubes de média dimensão do seu país natal.  Há ainda o caso de Aimar, que da mesma maneira que vinha sendo anunciado pelos jornais como certo no Benfica todos anos durante uns dois ou três Verões antes de ter efectivamente chegado, também já há uns três que dizem que está com um pé e meio noutro lado. Diz que ia para o Al-Ahli mas acabou por ficar. É bom para o nosso campeonato.

Sporting - Ofereceu Izmailov ao Porto e recebeu de troco um lateral direito mediano, ainda que de selecção nacional, posição que precisava de reforçar desde que tinha oferecido João Pereira, lateral direito bom, de selecção nacional, ao Valência, em vésperas do Euro, altura dolorosamente errada para se negociar um jogador que vai disputar a prova. Quando abriu a embalagem viu que tinha ainda um jovem guarda-redes, Ventura, uma das poucas posições que o clube está verdadeiramente bem servido (embora a cada dia seja mais provável a saída de Rui Patrício). Chegou ainda Joãozinho, emprestado pelo Beira-Mar (eu sou do tempo que os clubes grandes emprestavam os seus excedentários aos pequenos), lateral esquerdo que trazia com ele expectativas tão baixas que até deixou boas indicações no primeiro jogo. Vem substituir Insua, internacional argentino que tinha sido das melhores contratações recentes dos últimos tempos do clube e que parte para o Atlético Madrid, pela necessidade aparente do clube em fazer uns tostões e pelo caminho nivelar o plantel por baixo. Livrou-se ainda de Daniel Carriço, um jogador que prometeu, chegou a capitão do clube e acabou em Inglaterra por menos de um milhão de euros em fim de contrato, cerca de 20 vezes menos o que chegou a ser projectado como o seu valor na altura que despontou. Para surpresa geral, ou somente minha, viu ainda sair Pereirinha, igualmente em final de contrato, e para um clube "de jeito", a Lazio, de Roma, e não para um Setúbal ou Guimarães ou semelhante nacional, onde sempre imaginei que se enquadraria - um clube mediano para um jogador mediano. Finalmente, "emprestadou" Elias ao Flamengo, gentilmente permitindo ao jogador mais caro da sua história que fosse ser feliz no seu país de origem, já que por aqui certamente não era, como se fazia notar pelo seu pálido empenho em campo.

Sporting de Braga - Como também começa a ser hábito no clube do Minho, o Braga mexe-se bem no mercado, contratando jovens com potencial e livrando-se de apostas que não funcionaram. Neste Inverno destaque para as contrastações de Rabiola, miúdo de grande qualidade, com passagem pelo Porto, que estava no Desp. das Aves, bem como o defesa do Beira-Mar Sasso e o brasileiro ex-São Paulo Diogo Bittencourt, internacional jovem pelo seu país. Para colmatar a saída do guarda-redes Beto, que rumou ao Sevilha para substituir Diogo López, que seguiu para o Real Madrid, o Braga foi buscar Stanislav Kritsyuk, da selecção sub-21 Russa, que também se espera vir a ser uma mais valia para o clube.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sporting na discoteca

Paulo Henrique, Niculae e Kléber. São estes as três mulheres feias que o Sporting tentou engatar no fecho da discoteca, no último dia das inscrições de novos reforços. Não só fez a triste figura que tantos homens fazem aí pelas 6h da manhã nas danceterias deste mundo, tentando desesperadamente atirar-se a tudo o que se mexe em busca de algum conforto para os tempos seguintes, como falhou miseravelmente, apesar dos dúbios atributos dos seus pretendentes, um dos quais, Niculae, com quem até já tinha estado, nos seus tempos de moço.

Isto porque há muito que o clube sofre de uma maleita séria, a gestorium danosum, do latim, que não mais quer dizer que quem lá manda não faz pevide de ideia do que é que está a fazer.

Vejamos, por exemplo, as declarações do agente do primeiro alvo, Paulo Henrique, um brasileiro perdido na Turquia, que roçam o Marximiano (dos irmãos revolucionários americanos e não do  revolucionário irmão europeu):

«Foi uma falta de sorte enorme no ´timing`. Quando o Sporting fez a proposta o primeiro treinador não libertou o jogador; quando o treinador aceitou abrir mão do jogador, o Sporting não confirmou a proposta; mais tarde, quando o Sporting confirmou a proposta o novo treinador do Trabzonspor decidiu também não libertar o jogador. Tudo isto num período de 30 dias», contou Frederico Pena, em declarações à Renascença." [in. abola.pt] 


Falta de sorte, diz. Outra patologia de que o Sporting não se livra.

Já Niculae acaba por não re-representar o Sporting porque, e caramba que é falta de sorte, tinha representado um clube, o Dínamo de Bucareste, em apenas um único jogo, no longínquo mês de Julho, antes de se transferir para o Vaslui, onde estava até agora. Ora como as regras da FIFA não permitem cá badalhoquices de jogadores a estarem em três clubes na mesma época, não há cá Niculae para ninguém.

E com duas tampas vai o clube atrás de outrem, Kléber, avançado que o Sporting cobiçou nos seus anos de Marítimo e que foi dado pela imprensa como certo em Alvalade - tanto na altura como agora, antes de o ver partir para o Porto. Porto esse que, sabendo da mediania do produto, poucos entraves colocou a emprestá-lo ao seu outrora rival.

Mas também Kléber não vestirá a camisola verde e branca e, mais uma vez, a culpa é alheia a quem manda no clube, da mesma forma que a Sporttv e os canais desportivos nunca têm culpa quando a emissão desaparece. Diz Godinho Lopes:


«As negociações por Kléber foram feitas com o FC Porto e ontem os serviços de secretaria tinham marcado a viagem do jogador para as 20.45 horas para vir a Lisboa assinar pelo clube. O jogador estava já a caminho do aeroporto, quando me liga um representante da BMG [Banco de Minas Gerais, do Brasil] que detém 20 por cento por passe, a pedir o meu aval à contratação», começou pró dizer Godinho Lopes.

«Pelo facto de terem [a Mesa da AG] criado agitação, quando eu pedi de maneira clara, em Alvalade no dia 2 de janeiro, para que se criasse condições, com a conferência de imprensa de dia 31 de janeiro, impediu a vinda de Kleber, é evidente», acrescentou.


É evidente, pois claro. Mais, conseguiu ainda colocar a culpa do falhanço da contratação de Niculae, em alguém que não ele:

«Mas havendo AG no dia 9, não poderíamos ir à FIFA [argumentar que o jogo que Niculae fez pelo Dínamo seria referente à época anterior e pedindo autorização para o inscrever] e não havendo resposta não fazia sentido que o Marius ficasse sem jogar.


E a culpa, como de costume, morre solteira.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Real Madrid e Barcelona

É dia de Clássico

Se em termos de patriotismo é pena que este ano não tenhamos a nossa liga nacional em televisão aberta, esteticamente muito mais pena é não termos acesso ao futebol do país vizinho, como tínhamos há década e meia, quando a TVI nos proporcionava o jogo como ele deve ser jogado, no reinado de Ronaldo I, o fenómeno.

Porque ver as duas melhores equipas do mundo - que pouco se gostam -, lideradas pelos dois melhores jogadores do mundo - que pouco se gostam -, não é desporto, é cultura.

É às 20h. E vai ser bom.