FC Porto - Para variar, fez a sua gestão com irritante competência, razão pela qual, nos últimos largos anos, só não é campeão nos anos em que um dos rivais faz um ano especialmente brilhante. Contrataram Izmailov, um investimento de baixo custo (pouco mais perderam que um lateral e um guarda-redes que não jogavam) e potencial alta rentabilidade, já que se trata de um jogador talentoso que só precisa de se reabilitar física e mentalmente - o que, a julgar pelos primeiros jogos, está resolvido. O médio russo multi funcional permite ainda espetar uma pequena faca nos corações dos adeptos do Sporting, de quem foi resgatado. Chega também Liedson, um jogador de créditos firmados no futebol português, e que, pelas circunstâncias da idade e da vida, vem feliz em ser o reserva de Jackson Martinez e ajudar quando for preciso. Saem Iturbe e Rolando, ambos emprestados, resolvendo o Porto a situação de dois jogadores insatisfeitos com as suas conjunturas no clube e que permite, sobretudo no caso de Rolando, rentabilizar um activo sem margem de manobra.
Benfica - Também o clube da Luz foi mais ou menos fiel ao seu modus operandi usual - Contrataram jogadores com valor mas que dificilmente terão oportunidade de jogar, sobretudo Diogo Rosado e Rui Fonte, por acaso ambos até formados no rival da segunda circular, e que apesar das qualidades parecem tapados pelos titulares do clube nas posições. Assinou ainda o jovem lateral esquerdo brasileiro Bryan, numa posição que o Benfica até precisava de reforçar. Quanto a saídas, assinalam-se as saídas de Nolito e Bruno César, o primeiro emprestado ao Granada, o segundo a ir enterrar-se nas areias das Arábias, o que para um jovem de 24 parece muito má ideia, visto ser geralmente a morte futebolística de um jogador, este tipo de transferências - daqui a uns anos um amigo perguntará a outro - "Olha lá, lembras-te de um Bruno qualquer coisa, César, acho, que esteve aqui uma época? Nem era mau, que é feito dele?" "Hum, boa pergunta. Lembro-me vagamente, acho que foi para o Catar ou coisa que o valha... onde andará?" E quando forem investigar à net, descobrirão que esteve mais três anos por lá, aos 28 foi para o Japão duas épocas até regressar ao Brasil, onde teve um morno fim de carreira num dos muitos clubes de média dimensão do seu país natal. Há ainda o caso de Aimar, que da mesma maneira que vinha sendo anunciado pelos jornais como certo no Benfica todos anos durante uns dois ou três Verões antes de ter efectivamente chegado, também já há uns três que dizem que está com um pé e meio noutro lado. Diz que ia para o Al-Ahli mas acabou por ficar. É bom para o nosso campeonato.
Sporting - Ofereceu Izmailov ao Porto e recebeu de troco um lateral direito mediano, ainda que de selecção nacional, posição que precisava de reforçar desde que tinha oferecido João Pereira, lateral direito bom, de selecção nacional, ao Valência, em vésperas do Euro, altura dolorosamente errada para se negociar um jogador que vai disputar a prova. Quando abriu a embalagem viu que tinha ainda um jovem guarda-redes, Ventura, uma das poucas posições que o clube está verdadeiramente bem servido (embora a cada dia seja mais provável a saída de Rui Patrício). Chegou ainda Joãozinho, emprestado pelo Beira-Mar (eu sou do tempo que os clubes grandes emprestavam os seus excedentários aos pequenos), lateral esquerdo que trazia com ele expectativas tão baixas que até deixou boas indicações no primeiro jogo. Vem substituir Insua, internacional argentino que tinha sido das melhores contratações recentes dos últimos tempos do clube e que parte para o Atlético Madrid, pela necessidade aparente do clube em fazer uns tostões e pelo caminho nivelar o plantel por baixo. Livrou-se ainda de Daniel Carriço, um jogador que prometeu, chegou a capitão do clube e acabou em Inglaterra por menos de um milhão de euros em fim de contrato, cerca de 20 vezes menos o que chegou a ser projectado como o seu valor na altura que despontou. Para surpresa geral, ou somente minha, viu ainda sair Pereirinha, igualmente em final de contrato, e para um clube "de jeito", a Lazio, de Roma, e não para um Setúbal ou Guimarães ou semelhante nacional, onde sempre imaginei que se enquadraria - um clube mediano para um jogador mediano. Finalmente, "emprestadou" Elias ao Flamengo, gentilmente permitindo ao jogador mais caro da sua história que fosse ser feliz no seu país de origem, já que por aqui certamente não era, como se fazia notar pelo seu pálido empenho em campo.
Sporting de Braga - Como também começa a ser hábito no clube do Minho, o Braga mexe-se bem no mercado, contratando jovens com potencial e livrando-se de apostas que não funcionaram. Neste Inverno destaque para as contrastações de Rabiola, miúdo de grande qualidade, com passagem pelo Porto, que estava no Desp. das Aves, bem como o defesa do Beira-Mar Sasso e o brasileiro ex-São Paulo Diogo Bittencourt, internacional jovem pelo seu país. Para colmatar a saída do guarda-redes Beto, que rumou ao Sevilha para substituir Diogo López, que seguiu para o Real Madrid, o Braga foi buscar Stanislav Kritsyuk, da selecção sub-21 Russa, que também se espera vir a ser uma mais valia para o clube.

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