Um jogão que deixou um gostinho amargo na boca.
No primeiro lance do jogo, os San Francisco 49ers acertaram um bom passe para avançar no terreno. No entanto, a jogada é anulada por offside e a partir daí a primeira metade do jogo tornou-se um pesadelo para a equipa da California, que não conseguia encaixar um ataque continuado enquanto via Joe Flacco, quarterback dos Baltimore Ravens encontrar sistematicamente os seus companheiros e somar jardas, touchdowns e pontos.
Com 21-6 ao intervalo, a vida dos 49ers parecia complicada. Com 11 segundos do segundo tempo, uma corrida de 108 jardas de Jacoby Jones e o record do superbowl para touchdown mais longo de sempre e mais 7 pontos para os Ravens, o troféu parecia decidido. Logo depois, o que ninguém esperava: falha de energia no maior evento desportivo dos Estados Unidos. Mais de meia hora sem jogo e fans aborrecidos. Mas os intervenientes compensaram os espectadores - no recomeço da partida, um gráfico anunciava que nenhuma equipa tinha recuperado de uma desvantagem maior que dez míseros pontos para vencer o Super Bowl. San Francisco perdia por mais de o dobro, 22 pontos na altura. Razão mais que suficiente para qualquer pessoa que não tivesse nascido em Baltimore torcer pelos pobres coitados. Aí acordou Kaepernick, o jovem QB dos 49ers, que tinha tido começo pouco firme. Aos poucos, os 49ers foram crescendo, na vontade, na energia e no placar. Dois touchdowns num espaço de três minutos foram dando esperança. No primeiro momento "de cinema", os 49ers dispõe de um "field goal", um pontapé de alguma distância - no caso 34 jardas ou 31 metros - que vale três pontos, a fechar o terceiro período, eram cruciais para manter as aspirações de San Francisco. David Ackers falha, por milímetros. Mas espera! A bandeira amarela que os árbitros lançam para o campo quando algo corre mal voa para o relvado - falta no kicker e o lance é repetido, desta vez com final feliz!
28-23 e apenas uma posse de bola de distância na entrada para o período decisivo. Wow. Wow. E o período foi avançando, com um field goal de Baltimore e um touchdown dos 49ers, que podia ter empatado a partida se conseguisse converter a jogada de dois pontos, coisa que não fez, deixando a partida separada por dois pontos apenas, que se tornaram cinco com novo field goal dos Ravens. E aí o final de cinema voltou a entrar em cena, com San Francisco a avançar no terreno e a colocar-se a menos de uma dezena de jardas da meta, com quatro jogadas para transformar o ataque em touchdown, o touchdown em vitória e a vitória em história, magia e tudo o mais.
Nervos, de quem nem sequer tinha afiliação por qualquer daquelas equipas, imagine-se dos adeptos fervorosos dos participantes.
Kaepernick, o miúdo com cara e sorriso de estrela tinha "apenas" de colocar a bola num colega na "end zone", a zona marcada de pontuação, como havia fazendo desde que assumira a titularidade da posição do lesionado Alex Smith e que não mais cedeu ao veterano. Mas a defesa dos Baltimore Ravens é forte e forte se mostrou, não permitindo em qualquer das quatro ocasiões o final feliz que parecia destinado a acontecer, o da reviravolta mais espantosa da história do Super Bowl.
Ray Lewis, considerado um dos melhores line-backers da história do jogo, colocou ponto final na carreira, da melhor maneira possível, com o título de campeão. Joe Flacco foi, justamente, eleito o MVP da partida, num jogo irrepreensível do quarterback Ravens que incluiu um passe incrível de 56 jardas, mais de metade do campo, que resultou num touch-down de Jacoby Jones.
Quanto aos irmãos Harbaugh, treinadores dos finalistas de hoje, ganhou John, o mais velho, embora o encontro a meio campo no final da dramática partida não tenha proporcionado sequer um abraço, quanto mais uma lágrima de emoção, apenas um aperto de mão e uma palmada no peito.
E ano que vem há mais, no primeiro domingo do segundo mês, certamente com a mesma intensidade mas dificilmente com o mesmo dramatismo. Os americanos - e cada vez mais o resto do mundo - já contam os dias - faltam 364.
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