segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Baltimore Ravens, Super Bowl Champions

Um jogão que deixou um gostinho amargo na boca.

No primeiro lance do jogo, os San Francisco 49ers acertaram um bom passe para avançar no terreno. No entanto, a jogada é anulada por offside e a partir daí a primeira metade do jogo tornou-se um pesadelo para a equipa da California, que não conseguia encaixar um ataque continuado enquanto via Joe Flacco, quarterback dos Baltimore Ravens encontrar sistematicamente os seus companheiros e somar jardas, touchdowns e pontos.

Com 21-6 ao intervalo, a vida dos 49ers parecia complicada. Com 11 segundos do segundo tempo, uma corrida de 108 jardas de Jacoby Jones e o record do superbowl para touchdown mais longo de sempre e mais 7 pontos para os Ravens, o troféu parecia decidido. Logo depois, o que ninguém esperava: falha de energia no maior evento desportivo dos Estados Unidos. Mais de meia hora sem jogo e fans aborrecidos. Mas os intervenientes compensaram os espectadores - no recomeço da partida, um gráfico anunciava que nenhuma equipa tinha recuperado de uma desvantagem maior que dez míseros pontos para vencer o Super Bowl. San Francisco perdia por mais de o dobro, 22 pontos na altura. Razão mais que suficiente para qualquer pessoa que não tivesse nascido em Baltimore torcer pelos pobres coitados. Aí acordou Kaepernick, o jovem QB dos 49ers, que tinha tido começo pouco firme. Aos poucos, os 49ers foram crescendo, na vontade, na energia e no placar. Dois touchdowns num espaço de três minutos foram dando esperança. No primeiro momento "de cinema", os 49ers dispõe de um "field goal", um pontapé de alguma distância - no caso 34 jardas ou 31 metros - que vale três pontos, a fechar o terceiro período, eram cruciais para manter as aspirações de San Francisco. David Ackers falha, por milímetros. Mas espera! A bandeira amarela que os árbitros lançam para o campo quando algo corre mal voa para o relvado - falta no kicker e o lance é repetido, desta vez com final feliz!

28-23 e apenas uma posse de bola de distância na entrada para o período decisivo. Wow. Wow. E o período foi avançando, com um field goal de Baltimore e um touchdown dos 49ers, que podia ter empatado a partida se conseguisse converter a jogada de dois pontos, coisa que não fez, deixando a partida separada por dois pontos apenas, que se tornaram cinco com novo field goal dos Ravens. E aí o final de cinema voltou a entrar em cena, com San Francisco a avançar no terreno e a colocar-se a menos de uma dezena de jardas da meta, com quatro jogadas para transformar o ataque em touchdown, o touchdown em vitória e a vitória em história, magia e tudo o mais.

Nervos, de quem nem sequer tinha afiliação por qualquer daquelas equipas, imagine-se dos adeptos fervorosos dos participantes.

Kaepernick, o miúdo com cara e sorriso de estrela tinha "apenas" de colocar a bola num colega na "end zone", a zona marcada de pontuação, como havia fazendo desde que assumira a titularidade da posição do lesionado Alex Smith e que não mais cedeu ao veterano. Mas a defesa dos Baltimore Ravens é forte e forte se mostrou, não permitindo em qualquer das quatro ocasiões o final feliz que parecia destinado a acontecer, o da reviravolta mais espantosa da história do Super Bowl.

Ray Lewis, considerado um dos melhores line-backers da história do jogo, colocou ponto final na carreira, da melhor maneira possível, com o título de campeão. Joe Flacco foi, justamente, eleito o MVP da partida, num jogo irrepreensível do quarterback Ravens que incluiu um passe incrível de 56 jardas, mais de metade do campo, que resultou num touch-down de Jacoby Jones.

Quanto aos irmãos Harbaugh, treinadores dos finalistas de hoje, ganhou John, o mais velho, embora o encontro a meio campo no final da dramática partida não tenha proporcionado sequer um abraço, quanto mais uma lágrima de emoção, apenas um aperto de mão e uma palmada no peito.

E ano que vem há mais, no primeiro domingo do segundo mês, certamente com a mesma intensidade mas dificilmente com o mesmo dramatismo. Os americanos - e cada vez mais o resto do mundo - já contam os dias - faltam 364.


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